segunda-feira, 9 de março de 2009

heart

Demasiado simples e tao complicado!

BE stupid!



As primeiras concepções racistas modernas surgem em Espanha, em meados do século XV, em torno da questão dos judeus e dos muçulmanos. Até então os teólogos católicos limitavam-se aqui a exigir a conversão ao cristianismo dos crentes destas religiões para que pudessem ser tolerados. Contudo, rapidamente colocam a questão da "limpieza de sangre" (limpeza de sangue). Não basta convertê-los, "limpando-lhes a alma", era necessário limpar-lhes também o sangue. Só que acabam por chegar à conclusão que este uma vez infectado por uma destas religiões, permaneceria impuro para sempre. A religião determina a raça e vice-versa. No século XVI esta concepção é estendida ao Indíos e Negros. Nenhuma conversão ou cruzamento destas raças, afirma o espanhol Frei Prudêncio de Sandoval, é capaz de limpar a sua natureza inferior e impura. A única cura possível, nestes casos, é o extermínio. Entre Sandoval e Adolfo Hitler existe uma linha de continuidade de ideias e práticas racistas (J.H.Jerushalmi).

Ainda no século XVI, como refere Hannah Arendet, surgirá na França uma outra concepção racista que será retomada por outros ideologos racistas mais recentes. François Hotman sustenta então que existia na França duas raças diferentes: a dos nobres e da do povo. A primeira, de origem germânica, era a raça dos fortes e conquistadores. A segunda, a dos vencidos e antigos escravos. Trata-se de uma argumentação que procura sustentar em termos rácicos o poder e a supremacia da nobreza em toda a Europa.
A questão da violência em que assentava a escravatura, será um dos principais argumentos utilizados utilizados entre os séculos XVI e XVIII para a condenar.



É consensual a seguinte definição técnica de racismo: a representação de um povo como inferior por razões naturais, independentemente da sua acção e da sua vontade. Esta representação é feita, naturalmente, por todos aqueles que se assumem a si próprios como superiores.
A questão essencial não está contudo na definição, mas em encontrar uma explicação para a ocorrência de manifestações de racismo entre os povos. Uma das ideias mais divulgadas actualmente é a seguinte: O RACISMO É SEMPRE UMA REACÇÃO A UMA AMEAÇA. Explicando de outro modo, um povo pode julgar-se superior a outro, mas tal facto pode não desencadear, por si só, manifestações de racismo para com o mesmo.
As manifestações de racismo ocorrem, quando um povo ou um grupo social expressivo, se sente ameaçado por outro, e considera que esta ameaça pode colocar em causa o seu Poder (privilégios, território, etc) (1), Cultura (2), Identidade Cultural (3), Religião (4); etc.
Estas manifestações de racismo, dependem obviamente no contexto em que ocorrem:
a)Na Europa, estão hoje muito ligadas a reacções emocionais contra a ameaça dos imigrantes e tudo aquilo que eles possam representar. O aumento do seu número é visto como uma ameaça à Cultura, Identidade Cultural, Poder, etc dos europeus. Estes temem que um dia possam vir a ser dominados pelos descendentes de árabes, negros, asiáticos, etc,
b) Em África, está ainda ligada à ameaça que a permanência ou o regresso dos brancos possa representar um retorno às antigas formas de colonialismo, escravatura, trabalhos forçados, etc.Muitas países há dezenas de anos Independentes, continuam a acenar com o fantasma de um hipotético regresso ao antigo colonialismo dos brancos, etc.
Julgo que neste último caso, a ameaça é claramente mais virtual que real. A África, sobretudo a subsariana, nesta Era de Globalização, deixou de ser um local convidativo para um regresso em força das populações brancas, como aconteceu no passado. A baixa taxa de natalidade dos países desenvolvidos, não deixa muita mão-de-obra excendentária para a emigração (ex. Portugal). A real ameaça não está no regresso dos brancos, mas no sistema económico (capitalista) que os brancos simbolizam e que os países africanos tiveram que seguir. Acontece é que estes não estão preparados para enfrentarem uma economia agressiva de tipo capitalista. Falta-lhes praticamente tudo: 1.capital humano; 2.Estuturas públicas capazes de conduzirem uma política económica adequada; 3. estruturas empresariais competitivas.
Face a esta desproporção de meios recursos no mundo, na maioria dos países africanos, o branco (o que ele simboliza) é naturalmente sentido como uma ameaça. As populações africanas, mal preparadas, são empurradas para um sistema económico assente numa feroz concorrência à escala global, no qual muitas vezes só conseguem sobreviver, como pedintes dos países dominados por brancos.
Carlos Fontes

domingo, 8 de março de 2009

Diferente


Tarde no marA tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,
Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!
Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...
E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

Onde tudo se torna indissociável,

tudo permanece imóvel

seguem-se os instintos

e o poder do coração.


Onde tudo transparece

tudo muda

seguem-se os olhares

e o poder do coração!


Onde tudo foge

tudo ou nada

seguem-se as regras

e nega-se o poder do coração!


Um momento!

Uma vida!

Uma lembrança!

Be you!!

Atreva-se a ousar!
Não se intimide!
Seja unico...!

Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo.

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,Diverso, móbil e só,Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendoComo páginas, meu ser.O que segue não prevendo,O que passou a esquecer.Noto à margem do que liO que julguei que senti.Releio e digo : “Fui eu ?”Deus sabe, porque o escreveu.
– Fernando Pessoa –